Novidades no G1

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Capoeira

Capoeira

Capoeira 2017
Construção Berimbau Turma Magnólia Amarela

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Oficinas Juninas

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Festa junina 2017

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"Luz, cores, ação!": projeto insere crianças no mundo científico

“Luz, cores, ação!”: projeto insere crianças no mundo científico

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Mãos na terra: É hora de plantar

Mãos na terra: É hora de plantar

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Horta

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O ano iniciou e as crianças dos Grupos 5 e a Turma da Floresta Tropical já começaram a cultivar mudinhas. Prepararam a terra, plantaram e agora é só aguar, cuidar e esperar crescer.                          
Cardápio 2018

Cardápio 2018

CÁRDAPIO DE 19 A 23 DE FEVEREIRO
Relatos Semanais

Relatos Semanais

Em nossa creche procuramos estabelecer diálogo com as crianças, famílias e comunidade. Pensando nisso fazemos Relatos Semanais que contam um pouco das vivências das crianças na creche, dando oportunidade à elas de reviverem suas experiências e às famílias de participarem dessas descobertas. Para os educadores esses relatos são instrumentos formativos,...
Descobrindo a Robótica

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Confiram a reportagem realizada na Creche sobre o projeto de Robótica desenvolvido em parceria com ao ICMC. “Descobrindo a robótica na pré-escola: crianças da creche da USP em São Carlos aprendem a montar e controlar robôs”

Momentos de sono e descanso são questões de currículo na Educação Infantil?

 

Lígia Perez Paschoal

Marlene Felomena Mariano do Amaral

Rosa Virgínia Pantoni

 

O homem vive num mundo de fenômenos cíclicos temporais como o dia e a noite, fases da lua etc. Para se adaptar às mudanças provocadas por esses fenômenos, possui mecanismos internos que antecipam as variações ambientais recorrentes. Esses mecanismos de controle são chamados ritmos biológicos.

O ritmo que regula os momentos em que estamos acordados ou dormindo chama-se ciclo sono/vigília e correspondem a estados fisiológicos nos quais variam as atividades elétricas cerebrais, musculares, oculares etc.

A vigília se caracteriza por ser o momento em que estamos mais dispostos e com melhores condições de desenvolver nossas atividades, enquanto o sono constitui-se num estado de suspensão temporária da atividade perceptivo-sensorial e motora voluntária e, ao mesmo tempo, por um processo ativo por parte do sistema nervoso central. Assim, apesar da aparente não atividade muitas coisas acontecem nesse período com conseqüências diretas para a saúde, como fortalecimento do sistema imunológico, secreção e liberação de hormônios (do crescimento, insulina e outros), além do descanso e relaxamento de toda musculatura corporal.

Durante o sono, ocorre também a reposição de possível déficit energético adquirido ao longo do dia e a fixação da memória recente.

Muitas pesquisas também têm sinalizado uma associação grande entre dormir bem ao estado de saúde das pessoas. Dentre elas, estão as que relacionam noites mal dormidas com obesidade e problemas gastrointestinais, como azia, dores, cólicas e vômitos.

Outras associam o dormir pouco com hiperatividade e alterações de humor. Podemos perceber, no dia-a-dia, que crianças que dormem mal ficam mais irritadas durante o dia e expressam com mais freqüência birras, choros e conflitos com os colegas. Estes comportamentos acabam prejudicando a possibilidade de atenção nas atividades propostas e geram um impacto negativo no processo de aprendizagem.

Vale lembrar também que do ponto de vista emocional o sono tem um papel importante de nos ajudar a elaborar inúmeras vivências através dos sonhos, contribuindo para o desenvolvimento do psiquismo.

Diante de tantas pesquisas que mostram o quanto dormir é importante, como então pensar a organização dos momentos de descanso e sono nas instituições de Educação Infantil?

Como consta no documento Revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (aprovado pelo Conselho Nacional de Educação em 11/11/09), podemos pensar o currículo neste segmento educacional como “práticas educacionais organizadas em torno do conhecimento e em meio às relações sociais que se travam nos espaços institucionais, e que afetam a construção de identidade das crianças”. Considerando então a idéia de identidade como algo que engloba não só a mente, mas sim mente e corpo como unidades integradas, sendo a corporeidade a possibilidade de expressão desta identidade, nos parece relevante que as reflexões sobre organização do currículo considerem a importância dos momentos de sono e descanso na organização das rotinas da creche e pré-escola. Esses momentos envolvem ações que precisam ser intencionalmente planejadas e permanentemente avaliadas, requerendo um olhar atento por parte dos professores e equipes de apoio.

Ao refletirmos sobre o que é possível fazer para que esses momentos se tornem práticas promotoras de saúde na instituição de educação, nos damos conta de uma série de ações que englobam desde a organização da rotina, do ambiente, como também alguns cuidados, como limpeza e higienização de espaços e materiais.

Dentre outras questões, devemos nos perguntar: todas as crianças necessitam dormir na creche e na pré-escola? Até que idade é preciso organizar um momento para o sono? Será que apenas um período de sono é suficiente para crianças menores de um ano e meio?  Qual é o horário mais adequado para organizar este momento? Quanto tempo?

A organização de rotinas para o momento de sono na Educação Infantil está absolutamente imbricada com a concepção de sujeito que se tem. Quando concebemos a criança como sujeito integral, esta organização consistirá em considerar suas especificidades e necessidades individuais dentro do coletivo.

Na nossa experiência temos observado a necessidade de organizar rotinas que sejam bastante flexíveis quando o bebê ingressa na instituição com menos de um ano de vida, pois neste período algumas crianças ainda não construíram horários de sono tão fixos. Ainda nesta faixa etária é necessário organizar pelo menos um momento no período da manhã e outro à tarde. Já para as crianças próximas de 2 e 3 anos, um período passa a ser suficiente e para as acima de 4 anos não é preciso estruturar um momento para que todo o grupo durma, mas sim organizar situações de maior tranqüilidade e descanso. Nesta fase percebemos que apenas algumas crianças ainda necessitam do sono diurno, fazendo com que a instituição organize situações de modo a contemplar as necessidades individuais, sem estruturar um momento para todo o grupo.

Para que essas organizações atendam as necessidades dos pequenos é preciso antes considerar o perfil das famílias que freqüentam a instituição; são trabalhadores rurais que acordam seus filhos antes mesmo do sol nascer ou são comerciários que iniciam seu turno mais tarde?

Essas perguntas são importantes porque é fundamental a sincronização do sono noturno com o diurno que a criança fará ou não na instituição.

Essa sincronização está relacionada ao tanto de horas que a criança precisa dormir e depende também de uma parceria entre família e instituição no que se refere ao estabelecimento das rotinas em cada um desses contextos.

A quantidade de sono varia em função da faixa etária e também por características individuais. Em seus primeiros quatros meses de vida, um bebê costuma dormir entre 16 e 17 horas por dia, enquanto uma criança de 3 anos se satisfaz com 9 horas de sono contínuo durante a noite e uma soneca de 1 ou 2 horas durante o dia. A partir desta idade diminui a necessidade de sono diurno e a criança já se aproxima do padrão adulto, cujas variações podem ser classificadas em 2 grupos: grandes dormidores (dormem em média 8h30 a 9h30) e pequenos dormidores (de 5h30 a 6h30).

Pensando na organização do ambiente faz-se necessário deixá-lo aconchegante, livre de fontes diretas de luz e ruídos externos. A luminosidade deve permitir escurecer um pouco a sala, mas não ficar demasiadamente escuro para que a criança diferencie o sono noturno do diurno. Os colchões devem ser dispostos com certa distância uns dos outros de modo a evitar o contato direto entre as crianças. No caso dos bebês, esses devem ser colocados para dormir em berços até que aprendam a engatinhar, devendo então passar a dormir em colchonetes no chão para que possam se movimentar com liberdade tão logo despertem, sem correr riscos com relação a sua integridade física. Outro aspecto importante é a ventilação na sala que deve estar organizada de modo a promover a circulação do ar, sendo também necessário verificar se é preciso colocar umidificadores ou recipientes com água nos dias secos, ou aquecedores nos dia frios.

Em relação à higiene é preciso pensar no cuidado com o chão e com as paredes, organizar uma limpeza e desinfecção diária dos colchonetes com produtos adequados, além do cuidado com a rouparia, especialmente lençóis e fronhas de travesseiros, quando a criança necessita fazer uso. Esses precisam ser de uso individual, não apenas pela necessidade de prevenção de doenças, mas também porque esse objeto carrega uma história interacional com ela: seu cheiro, a lembrança de um momento mais íntimo vivenciado no ambiente familiar, etc.

Para bebês é muito importante também estarmos atentos à forma correta de oferta da mamadeira, quando esta coincide com o adormecer, para prevenirmos otites e outras infecções por posicionamento errado da criança no momento de sucção.

Os momentos de sono ou descanso podem ser precedidos por brincadeiras mais tranqüilas ou atividades de relaxamento que contribuam para a diminuição da agitação. Também é importante utilizar alguns marcadores de rotina para que as crianças consigam ter uma previsibilidade do que vai acontecer. Uma música adequada, a leitura de um livro ou a narração de uma história pode auxiliar as crianças a se desligarem das demais atividades e estímulos.

O contato físico, através de carinhos nos cabelos ou nas costas, ou mesmo uma massagem é fundamental para transmitir segurança e bem-estar. Assim como ter em mãos um objeto pessoal, tal como: a chupeta para as crianças que fazem uso, o bichinho ou outro objeto que possa deixar a criança mais tranqüila. A presença de um adulto durante todo o momento de sono é fundamental para segurança e bom acompanhamento do desenvolvimento das crianças.

Embora geralmente não apareçam no cenário do planejamento e nas ações pedagógicas da Educação infantil, as equipes de apoio merecem uma especial atenção no que se refere à organização das ações que envolvem o dormir e acordar nas instituições. Se por um lado cabe ao professor a observação, o cuidado e a disponibilidade afetiva nesses momentos, a estas equipes cabe garantir o que denominamos “pano de fundo”, ou seja, ações que precedem as ações dos educadores e que vão permitir que a utilização dos espaços e objetos ocorra com segurança. Dessa forma, esses profissionais também devem passar por momentos de formação em serviço para que possam compreender o Projeto Político Pedagógico, bem como ter acesso a informações sobre procedimentos corretos de limpeza e desinfecção de ambientes coletivos. Eles podem contribuir deixando o ambiente preparado previamente (colchões, luz, ventilação) para que as próprias crianças, ao chegarem à sala, possam ir se acomodando.

Os rituais desenvolvidos para dormir são muitas vezes estabelecidos em uma idade muito precoce e possuem estreita ligação com a dinâmica familiar. Assim, é importante que na entrevista de matrícula estes hábitos sejam conhecidos e mantidos, na medida do possível, em um ambiente coletivo de cuidado e educação infantil.

Mesmo quando a instituição toma todo o cuidado com a rotina e organização do ambiente é possível que algumas crianças ainda apresentem dificuldades para dormir. Isso ocorre porque o sono envolve uma espécie de entrega e suspensão da consciência, e a criança precisa estar se sentindo segura e protegida para isso.

Quando essas dificuldades tornam-se freqüentes, causando irritabilidade ou redução da capacidade de concentração, faz-se necessária uma conversa com os familiares. Algumas vezes o motivo pode ser uma incompatibilidade de integração entre os horários de casa e da instituição, fazendo com que uma simples alteração na rotina familiar resolva a questão.

Alguns casos demandam uma avaliação mais precisa por parte de profissionais da área da saúde e podem realmente ter causas mais estruturais (orgânicas ou psicológicas). Esses deverão ser discutidos com a família e encaminhados a outros profissionais e serviços, com os quais se manterá contato, com o objetivo de delinear o melhor manejo para a situação.

Além do sono, momentos de relaxamento e de um relativo silêncio também devem fazer parte do dia-a-dia, de modo a desenvolver nas crianças certa tranqüilidade e capacidade de observação e contemplação. Essas são características muito importantes, mas pouco valorizadas na sociedade contemporânea, devendo então ser consideradas e valorizadas nos currículos da Educação Infantil.

 

Para saber mais:

  • MARANHÃO, D. G. Saúde e bem estar das crianças: uma meta para educadores infantis em parceria com familiares e profissionais de saúde.  Portal MEC/CONSULTA PÚBLICA , 2010
  • MENNA-BARRETO , Luiz & LOUZADA, Fernando.  Relógios biológicos e aprendizagem. Editora do Instituto Esplan, 2004
  • OLIVEIRA, Z.M.R. O currículo na Educação Infantil: o que propõem as novas diretrizes nacionais ?   Portal MEC/CONSULTA PÚBLICA , 2010
  • MENNA- BARRETO, Luiz & DOLTO, Françoise. Os distúrbios do sono. In: As etapas decisivas da infância. São Paulo, Ed. Martins Fontes. 2007.
  • ROSSETTI-FERREIRA, Maria Clotilde. Nana, neném… zzzzzzz. In: Os fazeres na educação infantil. São Paulo.Cortez, 1998.

 

Lígia Perez Paschoal – psicóloga da Creche e pré-escola São Carlos/ SAS-USP

Marlene Felomena Mariano do Amaral – técnica de enfermagem da Creche e Pré-escola Carochinha SAS/USP-RP

Rosa Virgínia Pantoni – psicóloga da Creche e Pré-escola Carochinha SAS/USP-RP.

Assessora equipes técnicas e realiza formação de professores de Redes Públicas no setor de Educação Infantil

 

Artigo publicado na Revisa Pátio, volume 26, 2011